sábado

Michael Jackson era humano


Somente a morte parece ter redimido Michael Jackson da pecha de ser algo inumano. A genialidade do artista, de voz perfeita e corpo maleável, cuja habilidade coreográfica ninguém jamais conseguiu imitar sem parecer ridículo, ajudaram bastante a criar e instigar o mito de que era feito de outra matéria. Sempre cercado por uma espessa e misteriosa neblina, de onde emergiam diversas faces curiosas sob os relâmpagos dos flashes fotográficos, a vida de Michael Jackson foi, paradoxalmente, um enigma devassado à exaustão. O mundo inteiro sabe quase tudo sobre Michael, desde o início de sua carreira precoce e retumbante, e, ao mesmo tempo, não sabe quase nada. E essa absurda aura provavelmente continuará brilhando e cegando também após sua morte.

A saga de Jackson é um excelente espelho da humanidade. Enquanto vivo, cada gesto seu provocou críticas viscerais, umas elogiosas e muitas destrutivas. A morte abrupta, no entanto, provocou uma unanimidade rodrigueana, que não cansa de atestar o caráter incomum de seu legado para a música e a dança. Enquanto em vida era coroado Rei do Pop, com um certo tom de menosprezo, de arte menor, desencarnado, passou a ser formidável, absoluto, monumental. Se cada elogio proferido durante vinte e quatro horas após seu falecimento lhe tivesse rendido um dólar enquanto vivo, Michael Jackson talvez tivesse quitado todas as suas dívidas, recuperado Neverland e acumulado uma razoável fortuna.

Estranha humanidade a nossa, que homenageia mais a morte do que a vida.

quarta-feira

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