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sábado

Michael Jackson era humano


Somente a morte parece ter redimido Michael Jackson da pecha de ser algo inumano. A genialidade do artista, de voz perfeita e corpo maleável, cuja habilidade coreográfica ninguém jamais conseguiu imitar sem parecer ridículo, ajudaram bastante a criar e instigar o mito de que era feito de outra matéria. Sempre cercado por uma espessa e misteriosa neblina, de onde emergiam diversas faces curiosas sob os relâmpagos dos flashes fotográficos, a vida de Michael Jackson foi, paradoxalmente, um enigma devassado à exaustão. O mundo inteiro sabe quase tudo sobre Michael, desde o início de sua carreira precoce e retumbante, e, ao mesmo tempo, não sabe quase nada. E essa absurda aura provavelmente continuará brilhando e cegando também após sua morte.

A saga de Jackson é um excelente espelho da humanidade. Enquanto vivo, cada gesto seu provocou críticas viscerais, umas elogiosas e muitas destrutivas. A morte abrupta, no entanto, provocou uma unanimidade rodrigueana, que não cansa de atestar o caráter incomum de seu legado para a música e a dança. Enquanto em vida era coroado Rei do Pop, com um certo tom de menosprezo, de arte menor, desencarnado, passou a ser formidável, absoluto, monumental. Se cada elogio proferido durante vinte e quatro horas após seu falecimento lhe tivesse rendido um dólar enquanto vivo, Michael Jackson talvez tivesse quitado todas as suas dívidas, recuperado Neverland e acumulado uma razoável fortuna.

Estranha humanidade a nossa, que homenageia mais a morte do que a vida.

Remake de Thriller dançado em prisão das Filipinas faz sucesso na Internet



O Diretor do Centro de Detenção e Reabilitação da Província de Cebu (CPDRC), nas Filipinas, Byron F. Garcia, adotou uma nova política na instituição. Irmão da governadora de Cebu, que acaba de ser reeleita, Byron ganhou o cargo de consultor de segurança da província e decidiu implantar um método revolucionário para "melhorar" o sistema carcerário. Há, porém, sérias dúvidas se o objetivo da idéia é torturar ou ajudar na recuperação dos presos.

"Como em muitos outros países do mundo, nossa prisão estava superlotada, tomada pela corrupção, pelas drogas e pelo jogo", defende o controvertido Diretor, acusado de nomear novas lideranças para os presos, todas ligados à polícia ou a grupos paramilitares. Segundo Byron, as críticas não passam de "propaganda de comunistas e do pessoal dos direitos humanos".

Ele próprio realiza as filmagens, edita e adiciona os vídeos na Internet. "Já vinha colocando outros, havia nove meses, mas nunca eram tão vistos. E agora nós temos um hit!”, diz, satisfeito com a repercussão de Thriller, coreografado por cerca de 1.500 prisioneiros filipinos, vestidos com os uniformes laranjas do CPDRC.

Para Byron F. Garcia, "eles estão muito orgulhosos do que fizeram. Ali tem criminosos violentos e até estupradores dançando Thriller!” A lista de coreografias disponibilizadas no YouTube inclui também Radio Ga Ga, do Queen, I Will Follow Him da trilha-sonora do filme Mudança de Hábito, estrelado por Whoopy Goldberg, e YMCA do Village People, entre outras.

Ainda não se sabe o que acontece com o prisioneiro, ou prisioneira, que se recusa a participar do inusitado "processo terapêutico" instituido no CPDRC. Pode até ser que o polêmico Método Byron traga benefícios, não apenas físicos, mas também culturais e comportamentais para os internos do sistema prisional. Difícil é definir se realmente trata-se de um agradável processo de reabilitação ou de um severo mecanismo de punição.