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sexta-feira

Dublagem dos Simpsons censura piada sobre o Brasil



No episódio inédito A Esposa Aquática (Aquatic Wife), exibido pela Fox no último domingo, os Simpsons tiveram uma piada sobre o Brasil censurada na dublagem. Quando a família mais politicamente incorreta da TV chega, de navio, a uma ilha onde a pequena Marge Simpson passava suas férias e encontra a paradisíaca Barnacle Bay transformada em um lugar imundo, acontece o seguinte diálogo:
Marge: Argh! O paraíso da minha infância virou um chiqueiro.
Lisa: Esse é o lugar mais nojento em que já estivemos.
Bart: E o Brasil ?
Lisa: Depois do Brasil.

Após a censura, o texto original foi trocado e o diálogo ficou assim:
Marge: Argh! O paraíso da minha infância virou um chiqueiro.
Lisa: Esse é o lugar mais nojento em que já estivemos.
Bart: Sério, você acha mesmo ?
Lisa: Se eu falei é porque acho.

Veja, no vídeo acima, o trecho original (legendado) e o mesmo trecho depois da dublagem em português.

No YouTube também é possível ver o divertido episódio, uma verdadeira "aula de ecologia", dividido em 3 partes:

A Esposa Aquática (parte 1) - É onde está o trecho censurado

A Esposa Aquática (parte 2)

A Esposa Aquática (parte 3)

terça-feira

Mundo em Revista adverte: censurar pode fazer mal à saúde

Muitos daqueles que hoje defendem um maior controle da mídia, principalmente da programação dos canais abertos de televisão, ignoram os malefícios da censura. É certo que, na busca desenfreada pelo aumento da audiência, grande parte das emissoras de TV usa e abusa de sexo e violência na programação. Porém, é preferível engolir ocasionais excessos a ter de provar, mesmo em pequena dose, o remédio indigesto da censura.

Dar esse poder ao Estado equivale a contratar Herodes para cuidar das crianças. Sob o capuz de defensor da moral e dos bons costumes, o censor torna-se uma besta tragicômica, como na época da ditadura militar. Entre diversos casos de artistas cujos trabalhos foram censurados, o mais pitoresco e inverossímil (provavelmente apenas uma boa piada) é o que teria envolvido Chico Anysio.

Diz a lenda que, ao ver cortado um pedaço de um dos mais famosos poemas de Castro Alves, O Navio Negreiro, que havia incluído em uma peça, o grande humorista, criador de tipos inesquecíveis, quis saber o motivo da amputação. No célebre trecho: Auriverde pendão da minha terra/ Que a brisa do Brasil beija e balança/ Estandarte que a luz do sol encerra/ E as promessas divinas da esperança... , o segundo verso inteiro tinha sofrido a ação da tesoura. Mais absurdo que o crime, seria a explicação do censor: “uma coisa que beija e balança não pode ser um troço decente.”

Chico Buarque, cujas composições eram muito visadas pelos censores, teve de adotar o heterônimo de Julinho da Adelaide para livrar Acorda Amor, Jorge Maravilha e Milagre Brasileiro, do famigerado Departamento de Censura Federal. Em 1974, Julinho chegou inclusive a ser entrevistado pelo jornalista Mário Prata.

Publicada no jornal Última Hora, sob o título - O Samba Duplex e Pragmático de Julinho da Adelaide - a hilária entrevista pode ser lida, na íntegra, na seção Sanatório Geral do site de Chico Buarque. Ali são revelados detalhes importantes sobre a vida de “Julio Cesar Botelho de Oliveira”, como o fato de possuir duas feias cicatrizes no rosto, razão pela qual não permitia ser fotografado, a não ser de costas. Um drible de mestre na censura.

segunda-feira

Cicarelli censura YouTube

Cicarelli e YouTube não são apenas duas palavras-chave comuns na Internet, são tags poderosas, capazes de atrair audiência e produzir grande efeito. Claro que depois da comoção causada pelo célebre vídeo protagonizado por Daniela Cicarelli e seu namorado, Tato Malzoni, quando muitos blogs e sites anônimos subiram feito foguete ao céu da fama e do sucesso, a fórmula ficou consagrada. Para espantar o fantasma da baixa visitação, bastava adicionar o vídeo e repetir as palavras mágicas, Cicarelli e YouTube, várias vezes no post.

Tudo ía muito bem até que uma terceira tag entrou na história. Aí ficou melhor ainda. Justo num momento em que a privacidade da Cicarelli já havia atingido o clímax, quando o pico (ops) da audiência já estava broxando, naquele ponto em que a onda começa a perder a potência e vazar, a Justiça decidiu bloquear o YouTube, provocando outra tsunami na Web. O YouTube censurado não era só um inconcebível ataque à liberdade de expressão, era a onda sucessiva, o duplo tubo perfeito que os surfistas vivem esperando aparecer na praia.

A liberdade de expressão é, sem dúvida, um dos maiores patrimônios de uma sociedade democrática. O artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos diz textualmente: “Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e idéias por qualquer meio de expressão.”

Liberdade de expressão, no entanto, não é um direito ilimitado. A Justiça geralmente tem salvaguardas para proteger o indivíduo contra a difamação, calúnia ou injúria, por exemplo. Cicarelli e Malzoni entraram com ações na Justiça pedindo indenização por danos morais e a proibição para exibir o vídeo.

Como a invasão da libido foi filmada em área pública, numa praia da Espanha, a ação acabou julgada improcedente, e o casal agora terá de pagar, além das custas, também os honorários dos advogados dos réus – YouTube, iG e Globo. Isso não significa que a exibição do vídeo já esteja juridicamente liberada, mas, na prática, o surgimento de uma terceira onda é inevitável, mesmo que seja uma pequena marola, suficiente para agitar um pouco a blogosfera, que anda muito flat.