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sexta-feira

Lata Velha reformada no Caldeirão do Rio

A evolução histérica, digo, histórica do Caveirão

Conforme o veículo, utilizado pela polícia para "operações especiais", vai sendo “aperfeiçoado”, o poder de fogo dos traficantes também vai aumentando, com armamento cada vez mais pesado, capaz de perfurar blindagens cada vez mais poderosas.

Enquanto isso, o povo favelado, marginalizado e oprimido, que só recebe a visita do Estado através do Caveirão, é posto na linha de tiro, e quem mais lucra com essa estúpida corrida bélica é a florescente indústria de armas e "segurança".



Paladino – Antigo veículo blindado do Batalhão de Polícia de Choque da PMERJ, utilizado para o controle de distúrbios civis. Sem eufemismos, era uma espécie de carro-forte que servia à repressão na ditadura militar.

Paladino reformado – O Paladino velho de guerra recebeu pintura nova e continuou atuando, juntamente com o Caveirão. Depois de apresentar problemas no mecanismo hidráulico da
porta, acabou sendo aposentado em 2005.


Caveirão de hoje – Alguns especialistas preferem o desenho do Paladino, mas o Caveirão é mais confortável (para quem está do lado de dentro, é claro). Equipado com torre e outros apetrechos bem bacanas, ele sobe favela e dá tiro pra todo lado.


Caveirão dos sonhos – O sonho da Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro parece ser encomendar o Gila, veículo 4x4 com casco em forma de V. O pesadelo é fabricado na África do Sul, país que tem bastante know-how em matéria de repressão.



Caveirão de amanhã – Como diz aquele conhecido ditado, no futuro, adeus pertences, mas provavelmente será um super-tanque, hiper-blindado e mega-equipado, que andará sempre em comboio, pronto para esmagar qualquer perigo.

quinta-feira

A guerra do tráfico e o tráfico da guerra

Fotografia de Fabio Motta/AE
Pelo menos 19 pessoas, suspeitas de serem traficantes de drogas, foram sumariamente julgadas, condenadas e executadas na mega-operação “cirúrgica”, que envolveu mais de mil policiais no Rio. Se eram ou não "bandidos", se representavam ou não um real perigo à sociedade, jamais saberemos. Como diz a conhecida frase do senador norte-americano Hiram Jonhson: “Quando começa a guerra, a primeira vítima é a verdade.”

Ou, como diz o premiado jornalista australiano Phillip Knightley, também a respeito da guerra: “Para conquistar a opinião pública pela mídia, os governos e seus marqueteiros seguem ... um padrão, deprimentemente previsível.” No primeiro estágio, fazem a guerra parecer ‘inevitável’. No segundo, “demonizam o líder inimigo”. Na terceira etapa, "estendem esse processo aos inimigos como indivíduos” e no quarto estágio, divulgam “relatos de atrocidades.”

Nesta nossa guerra santa contra o tráfico de drogas, embora a mídia não esteja submetida a uma censura direta, repete em uníssono a mesma ladainha. A guerra é inevitável, a droga é um demônio, os traficantes são diabólicos, os crimes são hediondos. Claro que na espiral caótica em que vamos girando, tudo isso parece a mais absoluta verdade. Mas não é a verdade absoluta.
Por trás da violência, há muito mais do que imagina nossa vã filosofia. Há uma indústria absurda e milionária, que lucra com a segurança privada, enriquece com a blindagem de automóveis e faz fortuna traficando guerra sob o império do terror.