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sexta-feira

Renan vai acabar com a crise aérea


Reduzir as pistas de Congonhas para criar área de escape não é o único projeto polêmico do Ministério da Defesa. A próxima idéia genial a ser divulgada também deve provocar um certo espanto na população leiga.

Trata-se de um plano ambicioso para substituir todos os aviões da frota brasileira por um único e revolucionário modelo, denominado Recurso de Navegação Nacional (RENAN). Com Renan, o risco de acidentes será reduzido praticamente a zero.

O protótipo continua sendo submetido a exames ultra-secretos, mas segundo especialistas, enquanto os aviões comuns sofrem a atuação da força gravitacional, Renan não está nem aí para a gravidade da situação.

Pelos testes efetivados até agora, Renan não cai de jeito nenhum.

sábado

Voltando à vaca-fria


Enquanto Renan e Lula continuam por cima da carne-seca, o Brasil vai virando pasto.





terça-feira

Cumplicidade

No artigo publicado em 19 de julho no Jornal Zero Hora, sob o título Cumplicidade, o genial escritor Luis Fernando Veríssimo sentencia: “A companhia do que há de mais preconceituoso e reacionário no país inibe qualquer crítica ao Lula, mesmo as que ele merece.” A tese, como sempre muito bem argumentada, é concluída com uma advertência: “antes de entrar num coro, olhe em volta.”

Como grande admirador do Veríssimo, antes de continuar criticando o presidente, procurei analisar o coro dos descontentes à minha volta e, de fato, vi um bando de reacionários e preconceituosos puxando a vaia. Vi também a tal “elite branca e racista que controla a mídia”, delatada insistentemente pelo Paulo Henrique Amorim em sua Conversa Afiada. Vi fascistas, nacional-socialistas e até coisas piores, incitando o caos e o golpe.

São fantasmas conhecidos de muito tempo, já não me assustam mais. Aí fui olhar em volta de Lula. Maquiavel diz que “a primeira impressão que se tem de um governante e seu cérebro vem de ver os homens que ele tem em volta de si.” Em torno do presidente, vi espectros igualmente medonhos, conservadores, intolerantes e nazi-fascistas, racistas da elite branca e de todas as cores e matizes, o pior da política e do fisiologismo.

No centro deste empate, a imagem mítica de “um presidente pobre, nordestino e de esquerda”, pareceu-me a nítida construção de um sofisticado embuste. Até porque, muito pouca gente sabe ao certo quanto Lula ganhava antes de se encastelar no poder, mas, sem dúvida, já não era mais “pobre”. Quanto ao currículo “nordestino e de esquerda”, prefiro Heloísa Helena. Aquela que o PT expulsou porque era uma pedra no sapato, e que ainda continua uma rocha.

É junto com a destemida senadora (sem mandato oficial e, no entanto, legítimo, e também de origem modesta) do PSOL, com Jefferson Peres do PDT, com Pedro Simon do PMDB, Fernando Gabeira do PV e outros tantos políticos que resistem à bandalheira e ao cinismo, que prefiro estar. Em meio ao coro dos que continuam a lutar, mesmo nas trincheiras de partidos cooptados pela situação, dos que acreditam ser possível estar no meio dos vermes e não se contaminar e que, somente sem temer o contágio, a democracia brasileira pode amadurecer.

sexta-feira

Lula vai se pronunciar

Passados três dias da maior tragédia aérea do Brasil (e da América Latina) e após suscitar uma enxurrada de críticas à sua incrível mudez diante de tão doloroso momento, o Presidente da República decidiu dirigir-se à nação em cadeia de TV na noite de hoje.

Esperemos que, no pacote de medidas que provavelmente será anunciado, esteja incluído o fechamento (ainda que temporário) do “Aeroporto” de Congonhas, onde ocorreu o (segundo) grande acidente fatal com avião da TAM.

Embora Congonhas seja considerado o maior porta-aviões do mundo, já que sua pista principal é quase seis vezes mais extensa que o comprimento do USS Nimitz, a inexistência de áreas de escape transforma o pouso numa espécie de esporte radical.

Se o Presidente do Brasil, no entanto, fizer de seu pronunciamento uma mera plataforma política, buscando 'passar à ofensiva' na crise aérea, como previu o diário argentino La Nación, dando mais relevância ao embate com a oposição “conservadora e golpista” que aos efetivos cuidados com a segurança, sua imagem poderá sofrer um desgaste irreparável.

Não com a classe média, que o tem vaiado efusivamente há algum tempo, vítima de um sistema eleitoral viciado e imbatível que, por um lado, derrama sobre a elite uma cornucópia de benesses financeiras, enquanto cobre as classes menos favorecidas de esmolas governamentais. O desgaste será com a História. Aquela velha senhora intransigente que vive a retocar as mais irretocáveis biografias.

O "Contragolpe de Lula para frear a crise", como diz a manchete do jornal argentino, não deve mirar a oposição (que, convenhamos, apenas cumpre seu papel de apontar o contraditório) nem a sucessão presidencial, mas o vulto de estadista. É nos momentos de crise que este vulto aparece, sobressai ao fogo e à fumaça da política rasteira e conduz a barca dos homens a um porto seguro.

Vamos torcer para que o presidente da nação seja desta estirpe. Que passe a pilotar o país com segurança, olhando para a História e não para o futuro imediato e a glória passageira das urnas. O Brasil não merece ser guiado por políticos de baixa estatura, comprometidos com interesses inconfessáveis, atarefados em manobrar o Congresso ou apanhados em flagrante, com gestos obscenos a comemorar a falha do Airbus. Está na hora de Lula mostrar ao que veio.